Na sua Transformação Ágil, você pode ignorar a governança, mas ela não vai ignorar você.

Ontem, na aula e na sessão de Q&A da abertura do curso de Fluxo Unificado, foram feitas várias referências ao trabalho do Don Reinertsen (para quem não sabe, o Don também está sendo homenageado na edição atual do Software Zen, a 12a.). A orelha dele deve estar quente por esses dias! 😀

Durante a aula, o nosso instrutor, o Rafael Cáceres, trouxe vários temas inspirado nesse autor:

  • as diversas fontes de filas em nossos projetos e seus efeitos danosos; 
  • as consequências do foco em utilização de recursos; 
  • a importância de se considerar os aspectos de variabilidade inerentes aos nossos sistemas de trabalho; 
  • o famoso Cost of Delay
  • e a ubiquidade da influência de aspectos econômicos no desenvolvimento de produtos.

Quando fomos para o Q&A, eu citei os três conceitos que mais me chamaram a atenção no livro “Managing the Design Factory” do Don: A Teoria das Filas, e as ideias de “Designing the Design Process” e de “Information Hiding” (herdada de nós programadores). Todos esses conceitos endereçam, de uma forma ou de outra, aspectos importantes do problema que hoje é conhecido por “design organizacional”.

É inevitável esbarrar com o problema da “Governança” quando se fala em design organizacional. Em tempos de Transformação Digital e busca por Agilidade nas empresas, é importante entender que, na sua transformação Ágil, você pode ignorar a governança, mas ela não vai ignorar você.

A Governança Ágil será o tema do próximo grande evento do Software Zen na próxima semana! Veja os detalhes aqui…

Hoje, no Brasil, o Gustavo Maultasch é uma das grandes referências do tema Governança. Junto com sua equipe, ele construiu o Ateliê de Software do Itamaraty, que passou a ser um dos cases de Governança Ágil mais impressionantes da Agilidade nacional, um case que está completando 5 anos agora em 2020. Criar um ecossistema de Software Craftmanship em um órgão governamental, um dos ambientes mais hostis ao paradigma Ágil, realmente é um feito extraordinário.

Eu já contei essa história por aqui, mas vale a pena relembrar. Quem nos apresentou foi o meu amigo Alê Gomes. Foi em Brasília, por volta de 2016 (se não me engano). Mais tarde naquele ano, eu iria rever o Gustavo no Agile Trends, onde sua palestra sobre “Software Craftsmanship no Itamaraty” foi escolhida pelo público como a melhor palestra do evento. E foi mesmo! Eu estava lá assistindo. Foi tão boa que eu o convidei em seguida para ser entrevistado em uma das edições do Software Zen, onde tivemos um bate-papo sensacional junto com a turma.

Depois de algum tempo eu e o Alê voltamos a trocar figurinhas por causa do The Wise Manager. O nome do Gustavo surgiu novamente na conversa. Agora ele estava trabalhando no consulado brasileiro em Washington e, assim como eu havia feito no Wise Manager, expandindo intensamente o seu repertório para outras disciplinas como filosofia política, sociologia e teoria organizacional. Começamos a conversar sobre como estruturar essas ideias e trazê-las para a comunidade do Software Zen. Discutimos sobre o impacto da questão da governança e, ao mesmo tempo, o vazio que existe sobre esse assunto no Brasil. Rolou um encaixe conceitual perfeito.

Em maio do ano passado, eu fui a Washington para uma conferência e tivemos a chance de conversar pessoalmente. Batemos o martelo. Dois meses depois teríamos a 1a edição do “Governança Ágil” no Software Zen. Essa edição foi um grande sucesso, e agora estamos de volta para a 2a. edição desse curso, que começará na semana que vem, na terça-feira, 19/05.

O Governança Ágil tem uma das ementas intelectualmente mais impressionantes dentre o portfólio de cursos do Software Zen. Ela não só te ajuda a entender os efeitos e impactos da governança no seu ambiente corporativo em transformação, como também te dá a articulação conceitual necessária para defender os aspectos fundamentais da Agilidade enquanto você interage com a alta gestão. Além disso, oferece a direção e um guia de transformação organizacional que você não vai encontrar facilmente em lugar nenhum por aí.

Veja os detalhes da ementa:

MÓDULO 1: A ORGANIZAÇÃO
– Os problemas de governança
– A governança ágil como a orquestração para a descoberta e o alcance dos objetivos estratégicos
– O uso do conhecimento na sociedade
– Ordens deliberadas vs ordens emergentes
– A função do conhecimento (episteme, techné, phronesis) na organização
– A governança ágil como um modelo conceitual

– A escala de trabalho e a especialização
– A burocracia formal (Weber) como resposta tradicional

– A organização como uma ordem formal
– A governança ágil como a orquestração para a descoberta e o alcance dos objetivos estratégicos
– A crítica à burocracia
– As patologias da burocracia (Merton)
– A escola de recursos humanos
– O problema da racionalidade
– Racionalidade funcional e racionalidade substantiva
– Guerreiro Ramos e a dominação da racionalidade funcional na sociedade moderna
– Weber e os riscos do “iron cage”
– O conceito de corrupção institucional
– Problema de pareamento meio-fim no WBS
– Problema na estrutura de incentivos
– Problema na formalização e/ou comunicação
– A preservação do caos como elemento de inovação e adaptabilidade da TI
– Modelos racionais de decisão
– O modelo de “bounded rationality” (Simon)
– Rápido e devagar (Kahneman) e os vieses
– O elefante e o condutor (Haidt)
– Intuição (Klein)
– O erro fundamental de atribuição
– A organização como uma ordem emergente
– Comportamento organizacional
– Diferenças individuais (self-concept, aprendizagem, “fit”)
– Motivação
– Efetividade de times
– Poder e influência (política organizacional)​

MÓDULO 2: A TI NA ORGANIZAÇÃO
– A TI na Organização
– Modelos determinísticos
– O sistema sociotécnico
– Tecnologia. Pessoal. Processos. Estrutura/cultura. Cultura.
– Fomentando uma cultura de alta qualidade
– A equipe de gestão e a equipe técnica
– Os níveis de impacto das mudanças organizacionais
– A adoção de tecnologia
– A difusão de inovação
– O modelo de B.J. Fogg
– Resistência à adoção de tecnologia
– A abordagem tradicional de TI como “garçom” da organização
– O espírito subserviente e o espírito destruidor revolucionário de mudança
– O conflito de visões de Thomas Sowell
– A política de fé e a política de ceticismo de Oakeshott
– A prudência conservadora vs a transformação progressista
– A mudança de acordo com o lean vs a mudança de acordo com o ágil
– A Governança Ágil
– O papel da TI (parte intrínseca ao negócio)
– A governança ágil como orquestração para “fazer acontecer”
– A aplicação do Cynefin à governança e o modelo de “garbage can” aplicado à TI (capacidade de interpretação do negócio/demandas estratégicas, demandas com apoio político e capacidade operacional sociotécnica)
– O exemplo do avião pousando (demanda de destino, apoio e capacidade)
– A TI como uma unidade capaz de visualizar o “garbage can” e tomar as decisões como um dos cérebros da organização

MÓDULO 3: A GOVERNANÇA ÁGIL DA TI
– A necessidade de governança
– A abordagem tradicional da governança
– Patologias da governança
– A governança Ágil
– A governança como um fractal
– O tripé da governança ágil (negócio, apoio político e ownership, operação técnica) como forma de descoberta e trabalho para o resultado, a garantia dos recursos e a capacidade de execução
– Os arquétipos da governança de TI
– O negócio
– A descoberta do negócio
– A iniciativa do time quanto ao negócio
– A TI não se “alinha” ao negócio; a TI é parte da organização, é parte do negócio.
– Apoio político e Ownership
– O apoio “de fora” à demanda estratégica
– Alta chefia vs área finalística/negocial
– A governança ágil como dona/responsável pelos recursos (cancelamento de projetos no caso de não-validação, descentralização do negócio para todos)
– Possibilidade de formalização do apoio
– O apoio “de dentro” à demanda estratégica
– Explicação constante da visão da TI e dos objetivos negociais do projeto
– Descentralização da responsabilidade
– Capacidade operacional
– Retomando o modelo sociotécnico
– Pessoal. A equipe de gestão e a equipe técnica.
– Ferramentas e processos
– Requisitos: da “coleta”, à “descoberta”, à “definição” pela TI
– Melhoria contínua
– Inovações e estudos técnicos
– Alinhamento constante, comunicação e responsabilidade pelas ações como responsabilidade da TI
– O product owner como parte da TI (ou a TI como product owner)

MÓDULO 4: ESTUDO DE CASO: CONSTRUINDO UM ATELIÊ DE SOFTWARE
– A Filosofia do Ateliê
– A metodologia ágil
– A métrica emergente
– Lições aprendidas
– Incorporação do negócio
– Apoio político e ownership
– Capacidade operacional
– Gestão da Equipe
– A equipe de gestão
– A blindagem (evitar o go-horse)
– Comunicação de metas claras (entregável na produção)
– A orientação constante
– Controle da entrega (pequenos pacotes)
– Qualidade. Prazo. Métricas.
– Lei de Campbell
– Divisão funcional vs divisão por tema negocial
– Erro operacional vs erro de atitude (descaso)
– Responsabilidade clara pelo produto na produção
– Protocolos claros de ação
– Comunicação emergente entre as áreas (infra, desenv, helpdesk), com triggers e “remote calls”.
– Ferramentas de Redução de Risco
– Empoderamento da equipe técnica
– Armadilhas
– Problema XY
– Bike shedding
– Scope creep (o que eu paro?)
– Projeto vs produto
– Rotina vs projeto/produto
– Gerenciamento de risco vs gerenciamento de escopo
– Déficit técnico
– Revisão do skill da equipe
– Redução do escopo
– Moratória
– Falta de apoio político
– CONCLUSÃO: A governança ágil como a orquestração proativa entre alinhamento estratégico, apoio político e a capacidade operacional para garantir os resultados de negócio e a sustentabilidade de entrega da TI.

O curso começa na próxima terça-feira, 19/05 às 20hs.

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