O ‘The Wise Manager’ vai começar! E o que uma palestra do Ministro da Economia tem a ver com isso?

As matrículas para o The Wise Manager vão começar na semana que vem, mas para te explicar do que se trata esse programa, eu preciso antes abrir o seguinte parêntese:

Na semana passada, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, soltou uma frase que me chamou muito a atenção em uma palestra para investidores em São Paulo.

“Ao invés de fazer a coisa errada de uma forma bem detalhada, que é o que nós fizemos várias vezes no passado, o melhor é fazer a coisa certa, mesmo que de uma forma imprecisa.”

Realmente não dá pra saber se o ministro tem Drucker ou Ackoff assim na ponta da língua para colocar essa ideia de forma despretensiosa no meio de uma palestra de mais de 1 hora. Mas, é certo que o conceito por trás da frase veio de algum lugar.

Talvez já tenha virado sabedoria popular ou, quem sabe, seja fruto mesmo de toda a reflexão que ele precisou fazer nos últimos meses; ou somente um pensamento solto que apareceu no meio do improviso. O fato é que não podemos ignorar a coincidência, pois essa é a ideia raiz que está por trás de tudo que fazemos aqui no Software Zen. E está ali, na fala de um ministro da economia.

No meio da frase existe uma expressão: “fazer a coisa certa”. Essa expressão, por si só, tem várias implicações. Por exemplo, ela implica que “há coisas”; e que “uma está certa”; e que “há outras erradas”. Essas “coisas” são as nossas opções quando estamos diante de decisões. Tais decisões são os caminhos que escolhemos seguir para solucionar um problema.

O outro lado da moeda é o “fazer do jeito certo”. As implicações dessa expressão são outras: “há um jeito, e ele é o certo”. Quando alguém te passa um trabalho que precisa ser feito e a forma correta de fazer esse trabalho já está pré-determinada, dizemos que há, nessa tarefa, um desafio implícito de fazer de um jeito específico: o jeito certo.

O seu objetivo é preencher a discrepância entre o que você vai fazer para concluir o trabalho e a forma correta de fazê-lo. Nesse caso, você será avaliado pela sua capacidade de se aproximar do correto. Na verdade, foi isso que fizemos na escola a vida toda. A busca pela nota 10 é a busca pela aproximação máxima ao gabarito, ao que é correto.

O que o ministro quis dizer na frase dele é que, dado que há um pressuposto errado para a ação, executá-la do jeito certo, preciso e detalhado só será um grande desperdício de esforço. 

Mas suponha que o jogo mude. O que lhe é pedido não é mais um trabalho que vem acompanhado de instruções pré-determinadas sobre como realizá-lo. Agora você tem uma missão para cumprir, um problema para resolver, um resultado para alcançar, ou até uma vida para construir. Nessas situações, não há manuais, métodos ou processos onde as decisões sobre o que fazer já estariam tomadas por você. As decisões emergem agora da necessidade de cumprir a missão. As opções se apresentam enquanto se tenta resolver o problema. As estratégias para alcançar o resultado agora são de sua responsabilidade.

No caso do ministro a missão que ele recebeu é: “a economia do país precisa voltar a crescer”. Não tem manual para aplicar. A missão não vem acompanhada da forma de fazer. Ninguém nunca teve o mesmo problema, com as mesmas circunstâncias, os mesmos parâmetros, as mesmas condições e obstáculos. Ele tem que escolher o caminho. Ele tem que definir qual é “a coisa certa” e, quando ele faz isso, ele assume a responsabilidade.

Esse é o grande novo jogo do profissional da atualidade. 

Nossos problemas são todos inéditos. Não há manuais, porque as informações e situações que nos permitiriam produzi-los só se manifestam durante a tentativa de solução para o problema. O que há são missões a cumprir, problemas para resolver e resultados para alcançar. Querendo ou não, temos que participar do jogo de definir “a coisa certa” a se fazer a cada instante e, quando o fazemos, também assumimos a responsabilidade. Mas será que estamos preparados para esse novo jogo?

​Foi o Russel Ackoff que me ajudou a entender que o “fazer do jeito certo” e o “fazer a coisa certa” requerem habilidades cognitivas diferentes. O primeiro usa inteligência e memória para internalizar em nós uma heurística que se mapeie com a heurística que foi pré-determinada como alvo (tratando-se, assim, essencialmente de um processo de conformidade). Assim por exemplo, para tirar 10 na prova de matemática, você precisa fazer muitos exercícios para “fixar” novas heurísticas na sua cognição (lembra dos exercícios de fixação?). Assim, elas poderão ser acionadas na hora de fazer a prova.

Agora, já a segunda habilidade, a de “fazer a coisa certa”, essa é diferente. Ela vai depender muito de como se toma consciência das opções envolvidas e da sua capacidade de projetar as suas decorrências no futuro. Decorrências que não envolvem somente você, mas também os arranjos sociais a sua volta. A essa habilidade, nós damos o nome de “sabedoria”. 

Assim, enquanto é a inteligência que vai nos ajudar a ter certezas sobre as coisas para fazer “do jeito certo”, é a sabedoria que vai nos dar a clareza que precisamos para fazer “a coisa certa”.

No programa de treinamento Software Zen e a Arte da Gestão de Software, a gente discute como fazer isso no âmbito das nossas decisões técnicas. Mas e quando o âmbito é o das grandes decisões? ou mesmo das pequenas decisões que são automaticamente tomadas sem percebermos qual é o corpo filosófico, sociológico ou psicológico que nos leva a elas?

Bom, é aí que entra o The Wise Manager!

Saiba mais aqui nessa página sobre a 3a. edição do The Wise Manager que começa muito em breve…

Não há como se ter um ganho de clareza na consciência das opções envolvidas e de suas decorrências sem haver uma profunda discussão sobre o significado dos valores associados às nossas grandes escolhas que, na maioria das vezes, são feitas com pouca ou nenhuma consciência do que está em jogo. É como diz o personagem Jonas da série alemã Dark“uma decisão a favor de algo, é sempre uma decisão contra algo também”.

E quanto às pequenas decisões, nessas, o exercício da reflexão é raro. É por isso que precisamos de um “ethos”, um hábito, uma espécie de framework conceitual que nos direcione para um caminho que construímos e acordamos com nós mesmos a priori

Assim, no âmbito do nosso “ethos” decisório, não é mais o mundo técnico que define o valor das escolhas e de suas decorrências, é o mundo do significado. 

Esse debate sobre o significado dos valores você vai encontrar na filosofia, na sociologia, na mitologia, na arte, na psicologia, ou seja, nas disciplinas das áreas de humanas que nós, da área de tecnologia e projetos, tivemos pouco ou nenhum contato com seus temas durante a nossa formação acadêmica.

Dentro da programação de cursos do Software Zen, o The Wise Manager é a ponte que vai ajudar você a se reconciliar com o significado das escolhas que você faz ou que você já fez. Mais do que isso, ele vai te ajudar a se posicionar no mundo contemporâneo para entender de fato qual é o jogo que está sendo jogado, de forma que você possa saber também como jogá-lo de forma alinhada com os seus valores. 

É por isso que, durante o programa, nós procuramos dar algumas respostas a 4 perguntas fundamentais:

1) Como é o mundo e como chegamos a ele?
2) O que fazer dado que o mundo é do jeito que é?
3) Como agir enquanto você faz o que precisa ser feito?
4) Como transcender o agir para você chegar aonde quer chegar?

Mais detalhes sobre o The Wise Manager aqui…
(Fique ligado! As matrículas começam nessa próxima segunda-feira, 15/07)


OBS: Se você foi aluno da 1a ou 2a edição desse curso, vai receber o convite para fazer o curso novamente, ok? O convite será enviado por e-mail durante o período de matrículas. É só aguardar!