Software Zen & Agile Brazil: Como essas histórias se entrelaçam – Parte 2: Kanban, em busca de ritmo sustentável

Hoje em dia, as experiências com Kanban são parte importante das grades de programação de todos os eventos Ágeis no país. Em 2010 ainda não era assim. A programação do Agile Brazil de Porto Alegre, em 2010, continha apenas 3 palestras sobre o tema. Na época, havia uma grande desinformação sobre o assunto. Especialmente dentre os “especialistas Ágeis”. O dogmatismo gerou uma guerra entre os métodos e o meu trabalho passou a ser o de “rearticular” os princípios do método para que ele pudesse ser melhor entendido pelas pessoas.

Minha palestra nesse ano foi quase um mini-curso. Tive que ajudar as pessoas a diferenciar os vários tipos de “terminologia kanban” que circulava. Tive que esclarecer como o método endereçava a questão do “knowledge work”, pois muitos achavam na época que era um método importado das fábricas e, portanto, um retrocesso para a gestão do tipo de trabalho que fazemos em projetos de software.

 

Também não fiquei só nisso. Falei sobre gestão de WIP, adaptação ao contexto, gestão evolucionária, eficiência de fluxo, métricas, análise de demanda e sobre a criação de sistemas puxados. De fato, muito conteúdo, mas uma visão geral do tamanho do potencial do método como ferramental de apoio para uma grande quantidade de cenários que os métodos Ágeis não conseguiam alcançar.

Em busca de ritmo sustentável

Nessa época, a minha visão era de que o método Kanban era a melhor forma de se alcançar o que a gente chamava de “ritmo sustentável” no Manifesto Ágil. O problema do manifesto era que ele definia o ritmo sustentável como uma premissa ou uma decisão das pessoas envolvidas no projeto. Isso não era suficiente. Era preciso haver um mecanismo aplicável na prática e todo um corpo de articulação conceitual que o apoiasse. O Kanban trouxe essa possibilidade.

O tema da sustentabilidade de processos se conecta aqui com o tema do post anterior dessa série, onde eu falei sobre Systems Thinking. A ideia de como estruturar um “sistema” ou uma “sistemática de gestão” que oferecesse as condições que as pessoas precisam para trabalhar melhor no valor que elas geram para seus clientes era o meu grande foco de atenção.

A questão era que essa sistemática não poderia ser definida a priori. Isso porque as informações mais úteis que precisamos para desenhar processos estão no contexto, na situação. Era preciso partir de princípios básicos e deixar os detalhes práticos para o momento da aplicação.

A separação design-execução

Em geral, os métodos Ágeis – ou pelo menos a forma como eles eram vendidos – separavam “Design” de “Execução”. O design já estava definido a priori na forma do método que eu deveria aplicar. A execução vinha depois com a meta de criar uma conformidade do comportamento do sistema com esse design definido a priori. Isso pra mim sempre foi um grande problema.

A solução para isso era reunificar – ou reintegrar – “design” e “execução”. E era isso que o método Kanban colocava a nosso dispor: um conjunto de princípios e práticas capazes de nos ajudar a fazer um “design do processo” que se encaixasse on-demand com o contexto exigido por cada cenário e situação.

No Software Zen…

No Software Zen, o Kanban aparece como a grande estratégia de articulação para gestão de WIP, ajudando-nos a articular, inclusive, toda a estrutura conceitual que envolve a adoção dos principais métodos Ágeis. No fundo, tanto os métodos Ágeis mais comuns quanto o Kanban são manifestações de uma nova forma de estruturar uma estratégia de gestão orientada a valor e à solução de problemas de negócio na era da informação e do trabalho do conhecimento.

O Software Zen traz um vasto e avançado conteúdo de Kanban para que você possa desenhar o seu processo de trabalho de acordo com o contexto e a realidade que vive:

Para saber mais, acesse essa página…

No próximo post dessa série…

Em 2011, eu fui a Fortaleza para o Agile Brazil do ano seguinte. Foi ali que eu revelei a todos a minha descoberta sobre a essência do trabalho do conhecimento no século XXI. Fique ligado no próximo post dessa série para saber que descoberta foi essa.