O que nós já esperávamos está acontecendo: o trabalho remoto veio pra ficar. E agora?

“Não há soluções, apenas trade-offs” (Thomas Sowell)

Nessa semana, a Petrobras anunciou que espera manter pelo menos 10 mil dos seus colaboradores administrativos em home office mesmo depois da pandemia. Será muito impressionante se isso realmente se confirmar. O montante corresponde a 50% da sua força de trabalho administrativa. A fatia que executa o que o Peter Drucker chamou de “Trabalho do Conhecimento”Empresas de todos os tipos e tamanhos já estão fazendo os cálculos e se preparando para medida semelhante.

No setor de tecnologia, então… não precisa nem calcular nada. Twitter, Amazon, Facebook, Shopify, Salesforce muitas já anunciaram que vão ou estender ou adotar definitivamente o trabalho remoto com a possibilidade de home office para o seu quadro de colaboradores.

Era o que muitos de nós já estávamos antecipando. Depois que dissipou-se o medo de que todo mundo ficaria em casa só assistindo TV, descobriu-se não só que funciona, mas que também o trabalho em home office em muitas situações tem aumentado a produtividade e melhorado os resultados.

Mas é nesse momento que temos que ter cuidado com o tal do “deslumbramento” (coisa que aprendi com o Klaus Wuestefeld no The Way to Software Mastery), e puxar a sabedoria do Thomas Sowell descrita na citação que deixei no início desse texto (que aprendi com o Gustavo Maultasch no Governança Ágil).

Enquanto muitos gestores verão o trabalho remoto como a solução para reduzir seus custos e apresentarem bons resultados financeiros nas próximas reuniões com investidores, o cético olha desconfiado e se pergunta:
— Certo, mas o que estamos trocando exatamente?

Para o lado do colaborador, a esperada melhora na qualidade de vida não veio. Não só trabalha-se mais, como a gestão da própria vida tornou-se bem mais complicada. O paradigma moderno da separação vida pessoal e trabalho se dissolveu na liquidez do mundo pós-moderno acelerado durante a pandemia. A reunião profissional agora acontece na mesa durante o almoço com a família. Ao fundo o barulho dos talheres nem distrai mais quem precisa chegar a um consenso sobre como resolver o problema do servidor que está muito lento.

No The Wise Manager (cuja 4a. edição começa mês que vem), eu exploro filosoficamente e historicamente essa transição do moderno para o pós-moderno. No mundo líquido descrito por Zygmunt Bauman, tudo que é categorizado, rotulado e organizado de forma que cada coisa fique no seu lugar se dissolve, dando lugar a um sem número de possibilidades de reorganização, de opções de escolha, que nos colocam em estado de inação. Isso tudo nos leva a uma espécie de medo sem alvo. A isso damos o nome de ansiedade. O medo não é de uma coisa específica, mas do simples porvir

​Infelizmente, a solução para como resolver o dilema da integração trabalho e vida pessoal está nas mãos do indivíduo. A empresa não vai ajudar muito, até porque tem pouco a contribuir nesse aspecto. 

Estamos há décadas nos preparando para tornar a presença e a comunicação ubíqua. O ferramental para o trabalho remoto e o home office já estava pronto quando chegou a pandemia, nós não estávamos.

A maioria de nós hoje busca uma solução técnica para o trabalho remoto: “que ferramentas eu uso?”, “que acordos eu faço?”, “que regras eu imponho?”. Certamente é preciso passar por isso. Não nego, nem minimizo a importância das respostas para essas perguntas. A grande questão é que, em essência, a mudança não é técnica, é psicossocial (veja Erik Erikson)Como se comportar, como interagir, como respeitar a autonomia e a responsabilidade do outro, como manter a coesão, o senso de participação e de propósito.

Esse é o tipo de questão pela qual nos interessamos aqui no Software Zen. A “quem” ou a “o quê” recorremos quando o Google Search ou o DuckDuckGo provêm a resposta técnica, o tutorial, mas isso não dá conta da complexidade do que fazemos?

Para podermos prosperar no mundo novo que vivemos, precisamos penetrar o mais fundo possível na rede de práticas, de histórias e de conceitualizações que se relacionam ao nosso espectro de necessidades para que possamos compor a nossa própria linha de atuação.

No mundo moderno, onde tudo era devidamente categorizado e classificado, para tudo havia um manual. E coitados de nós se não seguíssemos o manual, não é mesmo?! Agora, no mundo pós-moderno, não há mais manuais, só histórias. E coitados de nós se não prestarmos atenção a essas histórias!!!

Amanhã, 20/06 às 09 da manhã, o Rafael Cáceres, e o pessoal da Taller, começam a contar para nós a sua história de como, já há vários anos, vem adotando o trabalho remoto em sua empresa, que é uma das referências em Desenvolvimento Ágil no país. Se tem alguém que merece estar no palco para falar sobre “Agilidade Remota” são eles. 

No nosso primeiro encontro eles falarão sobre o ferramental que usam. Vão falar sobre como:

– mantêm o fluxo de informações circulando com o Slack
– visualizam e gerenciam o fluxo do trabalho com um kanban eletrônico
– fazem vídeo conferências e armazenam reuniões
– documentam o trabalho e suas rotinas com o Notion
– resolvem o problema da agenda
– obtém métricas de gestão
– interagem em tempo real com o Google Docs e Miro
– e vão além do Trello e das planilhas com o AirTable para resolver problemas com mais flexibilidade e agilidade

Se você não puder participar ao vivo, não tem problema. Todos os encontros serão gravados e você receberá a gravação já no dia seguinte.

No segundo encontro, sábado dia 27/06 também às 09 da manhã, eles falarão sobre questões de comportamento no dia-a-dia do trabalho remoto (Flight Level 1).

– Comunicação Síncrona vs Assíncrona: O grande segredo do trabalho remoto eficaz
– O Trabalho Síncrono
– A pequena ética das reuniões
– Ligar ou não ligar a câmera?
– Câmera always on: boa prática ou tentativa de controle?
– Disciplinando o time para transformar as reuniões em rituais
– A pequena ética das conversas instantâneas
– Engajamento e participação nas reuniões em videoconferência
– Como conciliar as calls constantes
– Dicas de interação síncrona
– O Trabalho Assíncrono
– Direcionando a comunicação para o modo assíncrono
– A pequena ética do uso da agenda do outro
– Como garantir a fluidez e o balanceamento da comunicação síncrona e assíncrona
– Convivência e informalidade quando o trabalho é remoto

O terceiro encontro será no sábado seguinte, dia 04/07 também às 09 da manhã. No terceiro encontro eles falarão sobre como organizar um sistema de trabalho remoto (Flight Level 2):

– Gestão remota e o design do sistema de trabalho
– Trazendo os “Information Radiators” para o mundo digital
– Cadenciamento sustentável de cerimônias
– A coordenação tática do time remoto
– O trabalho de facilitação das lideranças
– Como dar feedback dado que as pessoas não estão presentes?
– Trabalho em par, trabalho em grupo: como incentivar a colaboração via chat e videoconferência
– Fazendo o trabalho fluir remotamente com o Flow Climate
– Como lidar com urgências já que as pessoas não estão no escritório?
– Status Report: como fazer?
– Team building remoto
– O que muda para times multi-disciplinares
– Gerindo a relação entre áreas de forma remota
– Mantendo boas condições de performance com o Operations Review
– Medindo produtividade e eficiência​

Concluiremos finalmente a 1a edição do Agilidade Remota, no dia 11/07 também sábado às 09 da manhã. Nesse último encontro eles falarão sobre como alinhar o trabalho remoto no âmbito estratégico (Flight Level 3):

– Dado que o trabalho é remoto, como manter o alinhamento estratégico das pessoas com os objetivos da empresa?
– As vantagens do remoto para a gestão estratégica
– Coordenando os três níveis de abrangência das ações (Flight Levels 1, 2 e 3)
– Práticas e princípios da comunicação continuada da estratégia
– A gestão de pessoas e o novo papel do RH no contexto do trabalho remoto
– O trabalho remoto como alavanca para a transformação digital​

Lembrando novamente que todos os encontros serão gravados, então não há desculpas para não conhecer essa história no seu ritmo e no seu tempo.

Se você está matriculado, receberá em breve, por email, os dados da sala virtual para assistir as aulas e participar dos encontros. Teremos uma aula de 1h e 30 minutos em cada sábado e mais um espaço para perguntas e debates logo após a aula, onde você poderá participar em áudio e vídeo.

Se você ainda não se matriculou, ainda dá tempo.

Basta clicar nesse link e garantir sua vaga para mais um programa de conteúdo de alta qualidade aqui no Software Zen…