Software Zen & Agile Brazil: Como essas histórias se entrelaçam – Parte 1: Thinking in Systems

O dia era 05/05/2009. Eu estava em Miami para a primeira conferência de Lean Kanban, onde estava apresentando os resultados do que viria a se tornar o primeiro estudo de caso de aplicação de Kanban para projetos de software na América Latina. Nesse dia, recebi um e-mail do Rodrigo Toledo – a qual não conhecia na época mas que depois se tornaria um grande amigo e parceiro de muitos trabalhos relacionados com Agilidade no Brasil.

O e-mail dele começava assim:

— “Alisson, estamos montando o primeiro Agile Brazil aqui no Rio para o dia 27 de junho. Estamos prevendo 6 apresentações com participação de 3 internacionais.
Gostaríamos de convidá-lo como um dos speakers nacionais para esse dia. Você teria interesse?”.

E assim começou minha longa história com o Agile Brazil. História essa que pretendo relembrar nessa série de posts que farei enquanto rola a edição 2018 do evento em Campinas.

Revendo a evolução do conteúdo que eu apresentava a cada ano eu consigo ver claramente a base conceitual e de experiências que hoje se solidificou de maneira tão única no Software Zen. E é muito legal notar como rever minhas apresentações no Agile Brazil me faz entender um pouco melhor a trajetória de formação do Software Zen.

Voltando a história do primeiro Agile Brazil…. Minha resposta para o Toledo foi:

— “Rodrigo, que bacana a iniciativa! Tenho interesse sim. Estou em Miami nesse momento na conferência de Lean e Kanban. Quem sabe eu não veja alguma coisa interessante por aqui e leve para esse evento aí no Rio?”

No mesmo dia, o Toledo manda um reply:

— “Ola Alisson, espero que esteja tudo correndo bem por ai! Já apresentou? Como foi?”

— “Desculpa a demora. A conferência me tomou todo o tempo mas o resultado foi muito bom. Veja o que o pessoal andou postando no twitter durante a apresentação:

https://twitter.com/search?q=%23lk2009%2Bvale

— “Uma possibilidade que estou vislumbrando agora é uma palestra sobre Systems Thinking. É um tema diferente que vale a pena explorar. O que acha?”, eu perguntei.

Isso era 2009. Systems Thinking não era um tema que aparecia em palestras, mas era algo que, de uma maneira ou de outra, unia conceitualmente todas as ideias apresentadas. Eu já estava mergulhando nisso há alguns meses e era uma ótima oportunidade para trazer esse tema para uma conferência no Brasil.

Um mês depois, em Junho de 2009 eu estava fazendo a primeira apresentação sobre Systems Thinking do Agile Brazil. Olhando os slides, eu percebo que eu ainda tinha uma articulação um pouco rudimentar sobre o tema, mas a gênese conceitual estava toda ali: a contraposição ao pensamento analítico, a ideia de alavancagem, a conexão de propósito entre os sistemas… ah, e as grandes referências: Donella Meadows e Russel Ackoff que até hoje continuam sendo grandes inspirações para esse tema.

De lá pra cá o conceito de Pensamento Sistêmico se solidificou de tal forma na minha maneira de ver a gestão ou o desenvolvimento de produtos que tudo que eu faço ou ensino passa por esse filtro conceitual.

O Software Zen não só puxa esse conteúdo de forma que ele abrace quase que o programa inteiro, como o usa na prática em sua própria dinâmica de execução do programa como um todo.

Se você ainda não conhece o Software Zen, veja como ele funciona nessa página…

Veja os slides da minha primeira palestra no primeiro de todos os Agile Brazil:

A foto e o slogan de abertura representavam bem o que eu procurava na época: um desenvolvimento de software sustentável. Mas isso será tema para o Agile Brazil do ano seguinte.

Fique ligado no próximo post para conferir o entrelaçamento do Software Zen com o Agile Brazil 2010.